Curiosidades
julho 26, 2014 publicado por Blog do Gato

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

É uma boa ideia utilizar gatos como predadores naturais de ratos?

A resposta curta para esta questão é não. Mas qual é o motivo pelo qual gatos não devem ser utilizados como controladores naturais de ratos? Afinal gatos são tão habilidosos para desempenhar esta função, não é verdade? Vamos então observar de forma ampla o que acontece quando gatos são utilizados para caçar roedores, a fim de controlar a população de ratos em uma região.

Por que gatos não devem caçar ratos? Gatos supostamente não são especialistas em matar ratos e camundongos?

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

Gatos matam camundongos e ratos, mas também matam muitas outras espécies de animais que não deveriam ser o  alvo do gato. O gato doméstico é um caçador prolífico de aves, pequenos mamíferos, répteis e anfíbios. Os gatos não fazem distinção entre as espécies que caçam. Provavelmente, quando um gato é utilizado para controlar roedores em uma região, ele também está prejudicando a fauna nativa. Os gatos podem caçar animais raros, ou mesmo espécies comuns, que são importantes para o eco sistema de uma região. Animais como o Bilby-pequeno que vivia na Austrália, foram extintos por causa da caça de gatos e raposas, no entanto, o gato doméstico não foi o responsável pela extinção apenas da população de animais desta espécie, e certamente outras populações de animais, ainda hoje, estão ameaçadas devido caça de gatos domésticos.

Bilby-pequeno que foi extintos por causa da caça de gatos

Bilby-pequeno que foi extintos por causa da caça de gatos

No fim do século 19, foi construído um farol em um  pequena Ilha localizada entre duas outras grandes ilhas que formam a Nova Zelândia. A Ilha Stephens, era até então, um ambiente inexplorado que permanecia completamente a parte do resto do mundo. David Lyall, um biólogo, foi designado para cuidar do farol. David passou a morar no local, onde a natureza exuberante permanecia intocada, no entanto, o biólogo levou consigo para morar na Ilha seu gatinho Tibbles. Sem que David se desse conta, seu gato passou a explorar o local e logo começou a levar para seu dono pequenos presentes, eram pássaros que havia abatido, resultado de suas explorações pela ilha.

David relatou posteriormente que um destes pássaros era diferente de todos que ele já havia observado. A ave tinha aproximadamente 10 cm, com pelagem verde escura e pontos amarelados pelo corpo. Aparentemente esta era uma ave que nunca ninguém havia visto anteriormente. No entanto, também era incapaz de voar. Provavelmente ela conseguiu sobreviver durante milhões de anos na ilha, pois nunca havia necessitado enfrentar um predador, até que este gatinho aparentemente inofensivo chegou em  Stephens. O pequeno  Tibbles presenteou seu dono com cerca de dez exemplares deste pássaro.E infelizmente, após este episódio, esta espécie de ave, aparentemente uma cotovia, nunca mais foi vista. Este caso ficou famoso, e o pássaro ficou conhecido como a única espécie que se tem notícia, de ter sido completamente extinta por um único animal o gatinho Tibbles.

Cotovia da ilha Stephens extinta pela caça do gato Tibbles.

Cotovia da ilha Stephens extinta pela caça do gato Tibbles.

As caçadas de Tibbles tornaram-se uma lenda na nova Zelândia e a região ainda é cenário da mesma guerra. Exite hoje na região um “exército de novos Tibbles”, que caçam aves que se encontram à beira da extinção. Existem registros de que felinos já foram os responsáveis pela extinção de diversas espécies de animais nativos. Atualmente existem 33 espécies na Nova Zelândia que estão ameaçadas pelos gatos domésticos.

Nos Açores em Portugal, a população de gatos tem ameaçado  à recuperação de aves com risco de extinção, os esforços para recuperar algumas espécies de aves na Ilha do Corvo, estão sendo dificultados devido a população de um grande número de gatos que vivem em liberdade, estes gatos atacam os ninhos das aves, impedindo que novos pássaros tenham a chance de nascer ou crescer e consequentemente se desenvolver e procriar. Não é incomum que gatos signifiquem um grande perigo para avifauna em todo lugar onde eles estão presentes. Em regiões onde o risco de extinção das espécies é eminente, a recuperação destes animais que não estavam adaptados à presença de predadores, torna as aves completamente indefesas.

Andorinhas de celeiro, Carolina wrens e outras aves selvagens tem sido vítimas nos Estados Unidos devido a natureza instintiva de gatos que são utilizados por pessoas para controlar populações de roedores.

A presença de gatos domésticos não domiciliados, ou que foram abandonados e se reproduziram nas ruas, ou gatos que tem permissão para passear e caçam apenas por instinto, oferecem um impacto muito negativo sobre a população de pequenos animais e pássaros nativos de qualquer região. E a parte mais engraçada disso tudo é que enquanto a população de pequenos animais, espécimes exóticos e nativos, diminui consideravelmente nas regiões onde gatos são utilizados para controle de população de ratos e o temido alvo, que é o rato que invade as casas das pessoas, consegue refugiar-se cada vez mais no interior das residências, aumentando ainda mais a proximidade das populações de ratos com as pessoas pois estes, buscam abrigo no interior das casas.

Mas gatos não são uma forma natural de lidar com problemas com relação à população de roedores?

Não. Os gatos não são uma parte natural do ecossistema. Eles são uma espécie descendente do gato silvestre africano e do sudoeste extremo da Ásia, o Felis silvestris libyca. Os ancestrais dos gatos domésticos foram domesticados na região do Egito há mais ou menos 4000 anos e levados para a a Europa há cerca de 2000 anos atrás. Os gatos chegaram na América do Norte junto com os europeus. No entanto, apenas durante a segunda metade do século XIX eles foram levados para o continente americano em um grande número, justamente com a intenção de controlar as crescentes populações de roedores, os quais ameaçavam a agricultura que tentava expandir-se naquele momento. É comum que as pessoas entendam que quando gatos exterminam certos animais silvestres, não estão causando um grande desequilíbrio ecológico para aquela região, mas os pequenos mamíferos nativos são importantes para manterem a diversidade biológica do ecossistema. Imagine que mesmo ratos e outros pequenos roedores são importantes fontes alimentares para aves como as  corujas e outras aves de rapina. Estes animais fazem parte da fauna natural do local e são espécies indispensáveis para o controle de outros predadores. Quando você utiliza um predador não-nativo, para controlar uma espécie, problemas tão extensos podem ocorrer, que acabam inclusive modificando a geografia de uma região. Cada habitante de um ecossistema tem um grande valor para o equilíbrio de onde vive e nenhum destes espécimes deve ser considerado sem importância.

O mangusto é um mamífero carnívoro não nativo responsável pelo desequilíbrio da fauna silvestre no Havaí

O mangusto é um mamífero carnívoro não nativo responsável pelo desequilíbrio da fauna silvestre no Havaí

 

Um bom exemplo disso é a introdução do mangusto, outro animal de origem africana (o mangusto é um mamífero carnívoro com mais de 40 espécies que também vive na Índia e na Ásia), nas ilhas do Havaí. Em vez de controlar os ratos não-nativos, o mangusto tornou-se predador de aves nativas, alimentando-se de ovos e aves jovens. Existe uma espécie de ganso havaiano, que enfrentou risco de extinção devido à predação implacável causada pelo mangusto e outros mamíferos não-nativos, que foram introduzidos na região com o intuito de erradicar ou controlar a população de roedores. Outros problemas como a alteração natural do habitat, tornaram-se uma realidade, trazendo transtornos bem sérios para a região. Felizmente, graças a esforços de criação em cativeiro de longa duração, no caso dos gansos, pôde-se evitar uma tragédia. No entanto o desequilíbrio ecológico tornou-se um fato real para o Havaí.

Ganso havaiano, que enfrentou risco de extinção devido à predação implacável causada pelo mangusto e outros mamíferos não-nativos

Ganso havaiano, que enfrentou risco de extinção devido à predação implacável causada pelo mangusto e outros mamíferos não-nativos

Gatos domésticos têm grandes vantagens comparando-os com predadores nativos. Gatos domésticos, geralmente possuem alguma proteção contra doenças, não necessitam competir pelo alimento, não enfrentam desnutrição e não estão suscetíveis a fatores que controlam predadores nativos. Gatos semi domiciliados e gatos que tem permissão para sair de casa, não ficam vulneráveis quando existem mudanças na população de suas presas. diferente da maioria dos predadores nativos, gatos não são animais exatamente territoriais e por este motivo, gatos podem se tornar uma população bem densa que irá competir com predadores nativos. Outra realidade, é que os gatos são uma espécie de animal muito fecunda. Uma gata pode pode ter até  três crias em um ano, com um número de filhotes que pode variar entre quatro a seis novos gatinhos por ninhada.

Mas ao utilizar gatos para matar ratos e camundongos você não está sendo ecologicamente correto?

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

De modo nenhum! Não há nada ecologicamente correto quando desencadeamos um desequilíbrio para o ecossistema de um lugar, introduzindo uma espécie predadora não-nativa, pois apesar de aparentemente gatos eliminarem ratos e pequenos roedores indesejáveis, como já citamos aqui e você já pôde observar tirando suas próprias conclusões, gatos podem acabar eliminando muito mais espécies do que pretendíamos que ele eliminasse. Os danos colaterais, não justificam a utilização de gatos como controladores de população de ratos. Os gatos não adicionam nenhum benefício à biodiversidade eles apenas caçam.

Além disso, muitos gatos podem ser responsáveis por expelir em suas fezes o parasita toxoplasma gondii. Este parasita pode sobreviver no ambiente por muito tempo e ainda é capaz de contaminar o solo, a água, e ainda frutas e legumes. Qualquer lugar onde um gato infectado tenha defecado passa a estar contaminado com o parasita.

A toxoplasmose é uma infecção que pode causar doenças graves em bebês infectados antes do nascimento (quando suas mães entram em contato com o parasita durante a gravidez), ou em pessoas que têm um sistema imunológico enfraquecido.

Gatos adquirem o Toxoplasma ao comerem roedores infectados, pássaros ou outros animais de pequeno porte, ou qualquer coisa contaminada por fezes de um outro gato que está lançando o parasita no ambiente.

Gatos não vacinados também podem ser responsáveis por transmitir raiva e outras zoonozes para animais silvestres. Também existem suspeitas de que gatos possam espalhar o vírus da leucemia felina e a gastroenterite infecciosa dos felinos em países como os Estados Unidos.

Existem pesquisas que comprovam que gatos podem ser um perigo para a fauna nativa de uma região?

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

Sim, em todos os lugares do mundo, tem sido realizados estudos sobre os hábitos alimentares de gatos domésticos que tem permissão para sair de casa. Estes estudos apontam que entre 60 e 70% dos animais silvestres que são mortos por gatos domésticos, são pequenos mamíferos, 20 a 30% são aves, e mais de 10% são anfíbios, répteis e insetos. Pesquisadores observaram que o número e variedade pode ser bem diversificado, de acordo com a época do ano e o volume de animais presentes na região. Alguns gatos que saem de casa são capazes de caçar um número próximo a 100 animais por ano. Alguns gatos se especializam em caçar aves enquanto outros preferem pequenos mamíferos. Um gato foi observado pelos pesquisadores, que recebia alimentação regularmente e frequentava um ambiente experimental que abrigava vida silvestre, este gato caçou mais de 1600 animais no período de um ano e meio. Gatos que vivem em zonas rurais capturam um número de presas superior ao número que gatos que vivem na zona suburbana ou urbana. Aves que fazem seus ninhos em locais baixos ou se alimentam no chão ficam mais passíveis à predação de gatos, da mesma forma que seus filhotes.

Camundongos e ratos também não são portadores de doenças?

Naturalmente, é muito importante realizar a remoção das espécies de roedores não-nativas, no entanto a utilização de gatos não é uma boa escolha para o controle de população de roedores.

Devemos usar veneno para controlar a população de roedores?

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

Não. Os pesticidas, como os gatos domésticos, são uma causa secundária grave de mortalidade da vida selvagem.

Então o que devemos fazer para controlar uma infestação de ratos ?

A ideia básica é pensar em prevenção, é sempre muito mais fácil prevenir do que remediar não é verdade? Faça a área inóspita para camundongos e ratos. Mantenha toda a área externa de sua propriedade sempre limpa, sem folhas secas amontoadas e com cercas vivas bem aparadas.

Um forma bem eficiente de controlar camundongos e ratos de maneira natural, é incentivar a população de animais nativos de sua região circundando sua propriedade. Procure incentivar a presença de corujas. Evite cortar as árvores em torno de sua casa. Uma boa dica é construir um ou mais pilastres altos, algo em torno de cinco metros ao redor de sua casa, desta maneira, você estará incentivando aves de rapina a pousar e desta maneira controlar de forma natural a população de predadores. Não corte as árvores mortas (a não ser que elas representem um perigo eminente de cair) pois estas árvores também servem como bons pontos de pouso para aves de rapina. Cobras podem ser excelentes para controle de roedores, no entanto podem oferecer riscos, não apenas ao entrar em sua casa, mas também para gatos que passeiem no jardim, crianças e cachorros. Predadores nativos não costumam ser presentes em abundancia, principalmente em regiões habitadas. No entanto, incentivá-los a alimentar-se de roedores que vivem em sua região, não irá causar estragos em populações de animais selvagens. O efeito que animais nativos causam sobre a vida selvagem tem uma base ecológica ao contrário do que os gatos domésticos, cuja forma de controle populacional é muito maior do que todos os predadores nativos juntos.

Para evitar ratos e camundongos dentro de sua casa, você precisa caprichar na limpeza, procure preencher todas as frestas que possam existir ao redor de sua casa, mesmo as mais sutis. Pequenos camundongos podem passar por frestas debaixo da porta com menos de 2 cm.

  • Utilizar palha de aço é uma forma interessante de fazer a calafetagem, pois a malha de arame pode cobrir buracos, impedindo a circulação de camundongos.
  • E fundamental que você tenha em mente que lixo atrai roedores que tem intenção em procriar, fazendo ninhos em locais bagunçados e principalmente, tendo chance de se alimentar. Ratos tem hábitos noturnos e podem conviver com sua família algum tempo sem serem notados, principalmente em casas desorganizadas.
  • Evite deixar ração para seus pets à disposição. Também é interessante alimentá-los em áreas internas se possível. Nunca deixe comidas de animais disponíveis por muito tempo e recolha os grãos que por ventura caiam no chão. Ratos se aproveitam deste tipo de alimento. Ração atrai roedores!
  • Se você tem pássaros, fique sempre muito atento com as sementes que caem no chão, procure colocar as aves dentro de casa durante a noite, em um local bem vedado pois roedores buscam este tipo de alimento também.
  • Armazene alimentos no interior de casa e procure colocar todos os sacos em locais a prova de roedores como em vidros e latas que possam ser bem fechadas.
  • Crie armadilhas à base de cola perto de áreas em que encontrou fezes ou urina de rato, dê preferência para cantos e ao longo das paredes.
  • A utilização de venenos além de ser perigoso para as crianças e animais de estimação, não é uma maneira ecologicamente correta de tratar uma situação como esta. Caso você escolha essa opção, procure consultar um especialista no controle de pragas para fazer a aplicação segura destes produtos.

Existem outras razões pelas quais não devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

Devemos usar gatos para controlar populações de ratos?

Sim. Gatos que tem permissão de passear ao ar livre, são expostos a muitos perigos. Eles podem ser atingidos por carros, envenenados, atacados por cães e e outros animais e podem ser mal tratados ​​por pessoas más. Gatos que vagam pelas ruas, ficam vulneráveis ​​a desenvolver parasitas internos, tais como lombriga e ancilóstomo e parasitas externos, tais como pulgas e carrapatos além é claro de poderem ser expostos a doenças felinas fatais. Não é seguro permitir que seu gato passeie ao ar livre, ele é parte de sua família e não um animal selvagem, ele não tem discernimento do que é certo e errado, do que é pior ou melhor para ele.

Para concluir, quem ama gatos, deveria incentivar a posse responsável de todos os animais, pedindo para que as pessoas mantenham seus gatos dentro de casa, não apenas para a proteção de seus felinos mas também para a preservação da vida selvagem, afinal, gatos domésticos não são animais selvagens e sua casa não é ao ar livre.

Os gatos não são os responsáveis diretos por matar nossa vida nativa, na verdade as pessoas é que são. A única medida que podemos adotar para evitar que gatos se tornem predadores da vida silvestre é manter nossos gatos protegidos e felizes dentro de nossas casas como fazemos com nossos cachorros.

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